Com fábrica da CRRC, Araraquara quer se tornar Polo Tecnológico Ferroviário no Brasil

Projeto prevê incentivos fiscais e formação de mão de obra para atrair empresas do setor e gerar empregos diretos já a partir de 2026

25/11/2025 – Blog Metrô CPTM

A Câmara do município de Araraquara, no interior de São Paulo, aprovou recentemente a criação do Polo Tecnológico Ferroviário, um pacote de incentivos que oferece isenção total do IPTU por 20 anos e redução da alíquota do ISSQN para 2% a empresas do setor ferroviário instaladas no município.

O objetivo é atrair fabricantes e prestadores de serviços ferroviários, com exigência de que pelo menos metade dos empregados seja residente local e apresentação de contrapartidas sociais por parte das empresas.

A iniciativa também prevê estímulo à formação de mão de obra qualificada, articulando parcerias com instituições de ensino técnico e profissionalizante.

A lei municipal surge após a gigante ferroviária CRRC ter aberto uma filial no local. A CRRC Brasil iniciou a operação com expectativa de gerar cerca de 100 empregos diretos e início das operações previsto para 2026.

“Queremos transformar Araraquara em um centro de produção para o Brasil e outros países da América do Sul. Também faremos isso com responsabilidade ambiental, seguindo padrões internacionais de sustentabilidade”, afirmou Jay Jie Zeng, vice-presidente da CRRC Brasil.

O novo polo será impulsionado por contratos já firmados, como o acordo de R$ 3,1 bilhões para a produção de 44 composições de trens destinadas ao Metrô de São Paulo.

Por enquanto, o polo se resume às instalações da Hyundai Rotem, outra grande fabricante de material rodante, que chegou à cidade em 2016.

A empresa montou sua fábrica para entregar uma encomenda de 30 trens da Série 9500 para a CPTM após um acordo com a IESA fracassar. Curiosamente, a CRRC ocupa parte da fábrica da Hyundai Rotem no momento.

A cidade tem tradição no setor ferroviário desde o século 19 quando foi fundada a Estrada de Ferro Araraquara (EFA) em 1896.

A companhia ferroviária operou até 1971 quando foi incorporada à Fepasa.