Por Ana Patrizia Lira, Diretora Executiva da ANPTrilhos
O transporte metroferroviário de passageiros desempenha um papel fundamental na mobilidade urbana no Brasil, garantindo deslocamentos eficientes, sustentáveis e seguros para milhões de pessoas. No entanto, desafios como a expansão da malha ferroviária, o aumento da participação do setor na matriz de transportes do país e sua integração com os outros modais exigem ações coordenadas entre os entes públicos e investimentos consistentes para que o transporte metroferroviário alcance seu pleno potencial e contribua ainda mais para a mobilidade nacional.
A ANPTrilhos tem atuado para fortalecer o arcabouço regulatório do setor, com o objetivo de promover maior segurança jurídica e previsibilidade para investidores e operadores. Iniciativas como a criação do Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano e a publicação de uma Política Nacional do Transporte Ferroviário de Passageiros são fundamentais para viabilizar um modelo de financiamento mais equitativo e impulsionar a expansão desse modal no país.
Atualmente, apenas 11 das 28 regiões metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes contam com sistemas metroferroviários, evidenciando a importância de um planejamento urbano de médio e longo prazo. A integração com outros modais é essencial para melhorar a mobilidade urbana, garantindo maior eficiência no deslocamento dos cidadãos e incentivando o uso do transporte público. O transporte sobre trilhos deve ser visto como estruturante, podendo ser conectado a outros meios de transporte para otimizar a mobilidade das cidades.
Investimento e expansão
A ampliação da rede metroferroviária é essencial para atender à crescente demanda por transporte público de qualidade. Em 2023, 2,48 bilhões de passageiros utilizaram o sistema, e as projeções indicam que esse número continuará aumentando. Contudo, a insuficiência de linhas e a fragmentação dos sistemas comprometem a eficiência do transporte, reforçando a urgência da implementação de um Plano Nacional de Desenvolvimento do Transporte Metroferroviário de Passageiros.
A segurança operacional também deve ser uma prioridade. O roubo de cabos, por exemplo, tem impactado operadores, afetando a regularidade dos serviços e elevando os custos operacionais. Para combater essa prática, é essencial o aprimoramento da legislação, com o endurecimento das punições previstas no Código Penal.
Sustentabilidade e qualidade de vida
O transporte metroferroviário se destaca como um dos modais mais sustentáveis, com baixa emissão de poluentes. Em 2023, a operação metroferroviária evitou a liberação de 2,3 milhões de toneladas de poluentes na atmosfera, contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade do ar nas cidades.
Isso se deve, em grande parte, ao fato de que a maior parte da rede de transporte sobre trilhos de passageiros é eletrificada. Além disso, iniciativas como a captação de energia solar em algumas estações reforçam ainda mais o caráter sustentável do modal.
Os benefícios vão além da sustentabilidade ambiental. A redução dos congestionamentos, a diminuição dos acidentes de trânsito e a maior eficiência dos deslocamentos são vantagens diretas para a população. O transporte sobre trilhos também melhora a qualidade de vida ao reduzir o tempo gasto no trânsito, permitindo que os cidadãos tenham mais tempo para o lazer, a família e o trabalho.
A modernização do setor exige uma visão de Estado, e não de governo como hoje acontece na maioria das cidades, que priorize investimentos em infraestrutura, inovação tecnológica e segurança operacional. A ANPTrilhos reafirma seu compromisso em articular soluções que promovam um transporte metroferroviário mais eficiente, sustentável e acessível para toda a população.
Com a implementação de políticas estruturadas e a ampliação dos investimentos, o transporte metroferroviário pode consolidar-se como a espinha dorsal da mobilidade urbana no Brasil, impulsionando a qualidade de vida, a inclusão social e o desenvolvimento econômico.


