Trens de passageiros podem conectar cidades

Região tem quatro das sete novas linhas de transporte ferroviário em estudo pela estatal Infra SA

12/11/2025 – Valor Econômico / Especial Infraestrutura & Logística – Nordeste

No que depender de projetos, o Nordeste tende a liderar uma onda de investimentos na construção de linhas de trens de passageiros no país. A região concentra quatro dos sete novos corredores ferroviários de transporte em estudo pela Infra S.A., estatal responsável pela estruturação de propostas para melhoria na infraestrutura nacional.

Três dos projetos já constam da lista oficial de trabalhos desenvolvidos pela empresa: uma linha entre Salvador e Feira de Santana (BA); outra de Fortaleza a Sobral (CE); e mais uma ligando São Luís e Itapecuru Mirim (MA). Nesses três casos, a Infra S.A. elabora um estudo de viabilidade econômica, junto com uma proposta de parceria público-privada (PPP) para que os projetos saiam do papel. Eles devem ser apresentador no primeiro trimestre do ano que vem.

Há uma quarta linha em estudo, entre Recife (PE) e João Pessoa (PB), ainda não citada na lista de projetos. Os trabalhos sobre o projeto foram revelados pelo presidente da estatal, Jorge Bastos, e fazem parte de um plano maior de transporte ferroviário para o Nordeste. “É importante a ligação entre as capitais. Isso pode impulsionar o turismo e outras atividades”, disse o presidente da estatal, Jorge Bastos, em evento promovido pelo Valor , com oferecimento de Infra S.A. e Ministério dos Transportes, em outubro, em Fortaleza. “O primeiro trecho que o ministério [dos Transportes] deu para a gente estudar é uma ligação entre as capitais que têm a menor distância entre elas. Mais tarde, a linha pode ir até Maceió, Natal e assim vai”, disse.

Pedro Paulo Magalhães, diretor de operações da Bahiainveste, empresa de fomento que conta com a participação societária do governo baiano, ressaltou em outro evento promovido pelo Valor, este em Fortaleza, que, quando estiver operando, o trem entre Salvador e Feira de Santana percorrerá os cerca de 98 km entre as duas cidades em cerca de 35 minutos.

É importante a ligação entre as capitais. Isso pode impulsionar o turismo”
— Jorge Bastos

Gabriela Avelino, subsecretária de fomento e planejamento do Ministério dos Transportes, disse no mesmo encontro que os projetos devem ser incluídos no Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050), que deve ser apresentado ainda em 2025.

Os estudos são financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que apoiou a elaboração de um diagnóstico sobre toda a malha ferroviária nacional para identificar novas possibilidades de uso. “Temos 35 mil km de trilhos no país, mas só 10 mil km são operacionais hoje”, ressaltou George Santoro, secretário executivo do Ministério dos Transportes, que solicitou os projetos à Infra S.A. “A ideia é revisar isso tudo e verificar o que pode funcionar para transporte de passageiros ou mesmo mobilidade urbana.”

No caso do trecho de cerca de 115 km entre Recife e João Pessoa, já existe linha férrea. Adaptá-la ao transporte de passageiros evitaria um novo processo de licenciamento ambiental, disse Santoro. Isso tende a tornar o projeto mais barato e rápido.

O governo vê a expansão ferroviária no Nordeste como estratégica também para melhoria da qualidade de vida da população. Santoro acrescentou que a União está disposta a cobrir o déficit de viabilidade dos projetos para garantir que eles sejam executados.

Mas o primeiro novo trem de passageiros deve entrar em operação em outra região, no Centro-Oeste, entre Brasília e Luziânia (GO), que pode ser licitado já em 2026. A estatal estuda ainda linhas entre Londrina e Maringá, no Paraná, e Pelotas e Rio Grande, no Rio Grande do Sul.