São Paulo troca VLT por ‘bonde sem trilhos’ no centro

Trata-se de uma tecnologia nova que não tem trilhos e anda sob o asfalto, seja com condutor ou de forma autônoma, com ímãs.

15/04/2026 – CBN São Paulo

O centro de São Paulo não terá mais um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), mas um VLE (Veículo Leve sobre Rodas). Trata-se de uma tecnologia nova que não tem trilhos e anda sob o asfalto, seja com condutor ou de forma autônoma, com ímãs.

Segundo o prefeito Ricardo Nunes, a gestão já encaminhou ao Tribunal de Contas do Município o processo inicial para a implantação do “bonde digital”.

O prefeito afirmou, nesta segunda-feira (13), que os motivos foram os custos e uma limitação técnica:

“Nós tínhamos o estudo de R$ 4,100 bilhões, readequamos, agora caiu para R$ 2,100 bilhões. Ia fazer os grupos sob trilhos, mas trilhos tem que ter no máximo 9 graus em todas as pistas A gente colocaria isso com 7 graus, obviamente ficava muito arriscado”, disse.

Sistema é semelhante a VLT e BRT

O sistema é semelhante ao veículo já em operação em cidades do México e na Região Metropolitana de Curitiba. Os veículos combinam características de VLT e BRT: são elétricos, têm cerca de 30 metros de comprimento, capacidade para cerca de 300 passageiros e podem atingir até 70 km/h.

Na Grande Curitiba, é aplicado de forma experimental desde dezembro de 2025, ligando dois terminais de cidades-satélite da capital, com cerca de dez quilômetros de extensão. O modal liga o Terminal São Roque, em Piraquara, ao Terminal Metropolitano de Pinhais, na Região Metropolitana.

Por lá, não foram construídas estações nem faixas exclusivas. OBUD opera como um ônibus em formato de VLT, tendo prioridade nas vias em caso de troca de faixa.

O Diretor-presidente da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná, Gilson Santos, explicou que o BUD, como é chamado lá, atendeu a uma demanda mais complexa que o BRT, mas com aplicação mais simples que o VLT.

“Ele tem uma capacidade de carregamento maior e isso daria um melhor atendimento para esses grandes eixos que nós temos aqui, é a de ligação metropolitana com a capital. Diferentemente do BRT elétrico, ele não usa a bateria, e sim um supercapacitor. Mais a questão dos trilhos: ele pode ser instalado, implantado, numa vía normal que, eventualmente, precisa ser compartilhada com outro tipo de veículos”, disse.

O sistema opera em três horários de manhã e outros três à tarde. Por isso, de acordo com Santos, o sistema ainda precisa comprovar desempenho em operação cheia no futuro. “Como a gente colocou ele primeiro em um horário fora de pico, a nossa ideia é agora mudar ele na grade para que ele opere também horário de pico, para que a gente possa também começar a entender como que vai performar”, diz.

Projeto de bonde no Centro

Em São Paulo, segundo a SP Urbanismo, o traçado previsto para o VLT seguirá o mesmo, com novas estações.

O projeto prevê duas linhas, com cerca de 12 quilômetros de extensão, conectando bairros como Bom Retiro e Brás a outros pontos da região central, como o Mercado Municipal, a Rua 25 de Março, o Vale do Anhangabaú e a Praça da Sé. O sistema deve se integrar a terminais de ônibus, estações de metrô e da CPTM, além do BRT da Radial Leste e da futura linha Celeste.

O projeto será estruturado por meio de uma parceria público-privada. A intenção é de que o projeto seja licitado ainda neste ano. A previsão era de que o edital fosse lançado no início de 2026, mas, com as mudanças, ainda deve ser necessário mais tempo.