Novos trens, obras e avanços

14/03/2026 – Revista Ferroviária Edição Novembro/Dezembro – 2025

Presidente da TIC Trens, Pedro Moro, vislumbra o cenário da empresa. O executivo falou dos próximos passos da concessionária responsável por levar os trens de volta a Campinas.

Recentemente, o presidente da TIC Trens, Pedro Moro, atendeu a equipe da Revista Ferroviária para divulgar as próximas realizações da empresa para tirar o Trem Intercidades de fato do papel.

Conforme estipulado no contrato de concessão assinado com o Governo de São Paulo, as construções do TIC Eixo Norte e TIM (Trem InterMetropolitano) precisam começar neste ano, bem como as intervenções ao longo da Linha 7-Rubi.

Com um olhar nesta obrigação contratual, o executivo pontuou ter nove pontos de “ataque” definidos para iniciar o serviço pesado, mas ainda depende de tratativas com os municípios cortados pelo futuro serviço ferroviário.

As obras devem começar por ações de drenagem no entorno e na via permanente e a remoção de interferências no caminho dos trens, como moradias ilegais ou desapropriadas e outros itens lindeiros aos trilhos.

Entretanto, dos cinco municípios envolvidos, Louveira é o que está mais incipiente, necessitando de novas conversas para a gestão local aprovar o sistema viário em volta da estação que será construída.

“Em Louveira ainda estamos discutindo alguns pontos do projeto e devemos na próxima semana apresentar algumas alterações que foram discutidas no sistema viário do entorno da estação para obter a autorização”, explicou Pedro Moro.

Já no trecho da Linha 7-Rubi, a primeira estação a passar por uma grande mudança é Piqueri. Essa parada junto à Marginal Tietê terá intervenções para melhorias, novas plataformas e adequações para receber um trilho segregado para trens de carga.

Entre Água Branca até Campinas, Governo, TIC Trens e MRS desenvolvem em conjunto soluções para a compatibilidade de serviços.

O projeto do TIC Campinas estipula ao menos duas vias para a Linha 7 e TIM, uma para cargas e outra para o Trem Intercidades, permitindo uma maior fluidez do transporte de passageiros, como de carga.

“Começamos esse ano na estação Piqueri [as obras de modernização], que será a primeira a ser trabalhada”, explicou o executivo.

De acordo com os prazos definidos, o trem parador entre Campinas e Jundiaí será entregue em 2029 e o Trem Intercidades, serviço expresso entre São Paulo e Campinas, com parada em Jundiaí, abre para o público em geral dois anos depois, em 2031.

Transição da CPTM para a TIC foi melhor?

Na mesma entrevista, Pedro Moro, ao ser indagado sobre como foi possível uma transição mais tranquila da gestão na Linha 7-Rubi, o executivo atribuiu este resultado positivo à forma determinada pelo governo do Estado no processo licitatório.

Isto porque, se comparado com a ViaMobilidade, onde a transição decorreu em seis meses, a TIC teve 18 meses totais desde o início dos treinamentos até a assunção total do ramal entre a capital paulista e o interior.

Diferente da operadora das linhas 8 e 9, a Linha 7 vem ao longo dos primeiros 60 dias atendendo sem falhas de maior gravidade, como colisão ou descarrilamentos que afetam de maneira notável o atendimento das pessoas que contam com o trem como principal meio de transporte.

Com um prazo maior, a empresa pode formar seu time, definir projetos e ações de maneira mais “amigável” com os processos, sem atropelar ou acelerar etapas.

“A principal diferença não fomos nós que fizemos, foi o governo do Estado ao nos dar 18 meses para fazer uma transição. Em 18 meses, você tem tempo suficiente para buscar no mercado as pessoas mais qualificadas, treinar com tempo suficiente e receber toda informação que a CPTM tem que transferir”, relembrou.

A TIC Trens aproveitou este tempo superior e chegou a “ir ao mercado” contratando profissionais da CPTM, MRS, ViaMobilidade e outros com passagens em sistemas metroviários, agregando conhecimentos de diferentes setores.

“Aqui tem pessoas [oriundas] da CPTM, que chegaram da MRS, vindas do mercado e isso é super positivo. Fizemos uma mescla de pessoas que trabalham aqui e de lugares diferentes, cada um com a sua experiência, isso ajudou a agregar mais conhecimento para a gente poder ter esse início de operação funcionando direitinho”, completou.

A TIC Trens assumiu por completo da Linha 7 desde 26 de novembro do ano passado e cabe a ela executar a operação ferroviária, manutenção e administração dos espaços, trens e estações, desde Palmeiras-Barra Funda a Jundiaí, contemplando municípios no meio do caminho como Caieiras, Franco da Rocha e Francisco Morato.

Planta da CRRC no Brasil deve atender a TIC Trens

Com uma nova fábrica instalada em Araraquara, interior de São Paulo, a chinesa CRRC, sócia do contrato de concessão com o Grupo Comporte da linha 7 e os novos serviços até Campinas, deve receber a tarefa de produzir parte da nova frota da TIC Trens.

Conforme informado por Moro, ao menos sete unidades destinadas ao atendimento do TIM, o Trem InterMetropolitano, podem ganhar forma dentro do país.

Isto ainda está em negociação interna, algo que será definido até março, mas é levado em conta o modelo de trem a ser fabricado, um similar à Série 2500 operado pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), com algumas mudanças internas, entretanto, pouco significativas.

“Os trens do TIM serão os primeiros a ser fabricados, parecidos com o 2500 da CPTM, e esse muito provavelmente deve ser fabricado em Araraquara. Devemos fechar essa questão agora no mês de fevereiro, março”, disse o executivo.

O Serviço TIM será um trem entre cidades do interior de São Paulo, ligando Jundiaí a Campinas, com paradas em Vinhedo, Louveira e Valinhos, com composições em modelo do serviço urbano existente, mas com tarifa diferenciada, um valor embora indeterminado, superior à tarifa comum paga pelos passageiros na Região Metropolitana de São Paulo, atualmente em R$ 5,40.