Integração tarifária, governança metropolitana e financiamento estável dominam debates da ANPTrilhos no FITS 2025

A ANPTrilhos abriu o primeiro dia do Fórum Global de Inovação e Tecnologia em Sustentabilidade – FITS 2025, nesta segunda-feira (24/11), na sede da Fecomércio no Rio de Janeiro. No painel “Transporte Público e Integração Tarifária”, Ana Patrizia Lira, diretora-presidente da Associação, apresentou a visão da ANPTrilhos sobre os desafios brasileiros e os caminhos para transformar redes fragmentadas em sistemas integrados.

Em sua fala, Ana Patrizia destacou que, em um país 87% urbanizado, com deslocamentos cada vez mais complexos, a integração tarifária é uma política estruturante, já que o modelo permite equilibrar o valor da tarifa, reduzir o custo sistêmico, ampliar a demanda e melhorar o aproveitamento da infraestrutura já existente. “Quando a tarifa deixa de ser uma barreira e passa a ser uma ponte, ampliamos o acesso, promovemos inclusão e fortalecemos o transporte de massa como política pública essencial”, afirmou.

Integração como base da eficiência

Patrizia também ressaltou que a integração transforma linhas isoladas em redes funcionais, aumentando o potencial dos trilhos e ampliando a conexão “porta a porta”, algo fundamental para garantir o acesso ao emprego e aos serviços urbanos. Exemplos apresentados por ela mostraram que processos conduzidos em São Paulo (2004/2005), Rio de Janeiro (linha 4) e Salvador (2016) comprovaram que a integração melhora o desempenho do sistema e elimina barreiras de deslocamento impostas ao passageiro.

Entre os desafios destacados pela presidente da ANPTrilhos está a falta de governança metropolitana. Segundo ela, a fragmentação de competências impede soluções coordenadas, e o Brasil ainda carece de autoridades metropolitanas fortes, capazes de exercer planejamento integrado, definir responsabilidades, administrar compensações entre operadores e garantir uma visão única para o território. “Sem uma instância metropolitana com poder real de decisão, todas as partes sabem o que precisam fazer, mas ninguém consegue avançar no ritmo que a população exige”, afirmou.

Em sua fala, Ana Patrizia ressaltou que sistemas integrados exigem fontes permanentes de financiamento e citou modelos internacionais como Madrid (66% de aporte público), Paris (50%) e Londres (30%), reforçando que o Brasil precisa superar a lógica de que apenas o usuário deve arcar com os custos do transporte. Ela defendeu a necessidade de avançar na agenda legislativa e de institucionalizar instrumentos de custeio que garantam previsibilidade e continuidade.

O FITS 2025 continua nesta terça-feira (25/11), com debates sobre saneamento, transição energética e regulação do gás, reunindo especialistas, gestores públicos e lideranças do setor para discutir soluções integradas para o desenvolvimento do país.