O Metrô de Santiago e a Alstom apresentaram, nesta terça-feira (20), o primeiro trem que irá operar na futura Linha 7 do sistema metroviário chileno. A cerimônia, realizada na fábrica da Alstom em Taubaté, no interior de São Paulo, contou com a presença de representantes do Metrô de Santiago, da Alstom Brasil e de equipes técnicas internacionais. A ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos) acompanhou o evento, que representa um avanço relevante para a mobilidade urbana do Chile e para o fortalecimento da indústria ferroviária brasileira.
O projeto prevê a entrega de 37 trens de alta tecnologia, todos fabricados no Brasil, que irão beneficiar cerca de 1,6 milhão de pessoas quando a Linha 7 entrar em operação. Cada composição terá capacidade para 1.247 passageiros e contará com dois espaços dedicados a pessoas com mobilidade reduzida, ar-condicionado, sistema avançado de informação ao passageiro, portas USB-C para recarga de dispositivos eletrônicos e um moderno sistema de segurança, com câmeras de alta resolução e intercomunicadores.
A fabricação das composições em Taubaté mostra a capacidade da indústria nacional de atender projetos complexos, com elevado padrão tecnológico, foco em eficiência energética e compromisso com a sustentabilidade. O trem apresentado, modelo Metropolis AS-22-UTO, inicia agora uma fase intensiva de testes no Brasil, antes da entrega prevista para o segundo semestre de 2026, marcando o início das entregas da frota completa.
Para a ANPTrilhos, o projeto é emblemático ao posicionar o Brasil como polo industrial, tecnológico e exportador de soluções ferroviárias na América Latina. A produção local gera empregos qualificados, impulsiona a cadeia produtiva e estimula a transferência de tecnologia, além de demonstrar a importância de políticas públicas e investimentos contínuos no transporte sobre trilhos como vetores de desenvolvimento, inovação, sustentabilidade e qualidade de vida urbana.
“A fabricação desses trens no Brasil mostra, na prática, que o país reúne competência técnica, escala industrial e maturidade para liderar projetos ferroviários de alta complexidade na região. É um exemplo concreto de como a indústria nacional pode atender demandas internacionais e, ao mesmo tempo, fortalecer o ecossistema ferroviário brasileiro”, afirma Ana Patrizia Lira, diretora-executiva da ANPTrilhos.
Durante a apresentação, o presidente do conselho do Metrô de Santiago, Guillermo Muñoz, destacou que o primeiro trem da Linha 7 representa um marco no maior ciclo de expansão da história do sistema chileno. Já a diretora-geral da Alstom Brasil, Suely Sola, mencionou a tradição da empresa no país e a importância do projeto para a mobilidade urbana sul-americana.
Atualmente em construção, a Linha 7 do Metrô de Santiago terá 26 quilômetros de extensão e 19 estações, conectando sete comunas da capital chilena. A expectativa é reduzir em 49% o tempo de deslocamento entre os terminais, além de gerar cerca de 24 mil empregos ao longo da implantação. No primeiro ano de operação, a linha deverá transportar aproximadamente 60 milhões de passageiros e evitar a emissão de cerca de 33 mil toneladas de CO₂.

