Entre debates, compromissos e a urgência de um planeta em transformação, a COP30 mostrou que não existe agenda climática possível sem rever a forma como as pessoas se deslocam nas cidades. E foi nesse palco global que a ANPTrilhos encerrou sua participação no evento com presença marcante em quatro debates que reuniram especialistas, autoridades, lideranças internacionais, academia e representantes do setor privado.
Para Ana Patrizia Lira, diretora-presidente da Associação, a mensagem que ficou da COP30 foi contundente e compartilhada por todos os setores envolvidos. “Os debates da COP deixaram evidente que mobilidade é protagonista na agenda climática, e os trilhos são o eixo dessa transformação. Participar da COP30 foi fundamental para a ANPTrilhos, porque é a oportunidade de mostrar que o setor já entrega benefícios ambientais reais e pode contribuir ainda mais para cidades sustentáveis, eficientes e verdadeiramente inclusivas.”
Os painéis que fortaleceram a voz dos trilhos na COP30
A presença da ANPTrilhos ganhou força logo no dia 11 de novembro, no painel “Coalizão de Transportes: Como tornar o setor de transportes um contribuidor ativo para a redução de emissões brasileiras”, realizado no Pavilhão da CNT na Green Zone. Com moderação de Ana Patrizia Lira, diretora-presidente da entidade, o debate reuniu Miguel Setas (CEO da Motiva), Vinícius Ladeira (Diretor Adjunto Nacional do SEST SENAT), Daniela Mignani (Diretora Executiva de Gestão do CEBDS), Fabio Guido (Superintendente de Sustentabilidade do Itaú) e Bruno Temer (Gerente de Sustentabilidade para a América do Sul na Michelin), em uma conversa que evidenciou o papel estratégico do transporte coletivo e as oportunidades de transformar infraestrutura, tecnologia e modelos operacionais em ganhos ambientais mensuráveis.
Dois dias depois, em 13 de novembro, a ANPTrilhos voltou ao centro das discussões no painel “Desafios e oportunidades para o financiamento verde”, ao lado de Ronei Glanzmann (CEO da MOVEINFRA), Paula Tagliari (gerente consultiva da Rumo) e Felipe Borim (superintendente de infraestrutura do BNDES). A conversa evidenciou que projetos sustentáveis só se tornam realidade quando encontram mecanismos financeiros estáveis, previsíveis e adequados ao longo prazo. Ana Patrizia destacou que o financiamento verde precisa enxergar no setor metroferroviário um ativo estratégico e que investir em trilhos é investir em impacto climático direto, com menor uso de combustíveis fósseis, viagens mais curtas, redução de acidentes e ganhos amplos em produtividade urbana.
A diretora-presidente da ANPTrilhos participou como palestrante do painel “Gestão Pública, Governança e Parcerias para o Alcance das Metas Climáticas na Mobilidade Urbana”, também no Espaço CNT da Green Zone, em 14 de novembro. Sua fala reforçou que governança metropolitana, continuidade institucional e modelos colaborativos entre União, estados, municípios e iniciativa privada são pilares indispensáveis para que o Brasil avance na construção de cidades mais inteligentes e resilientes. Ao destacar o papel dos trilhos como estrutura permanente do planejamento urbano, a especialista ressaltou que mobilidade não pode ser vista como gasto. “É política pública que salva vidas, reduz emissões e amplia oportunidades.”
No dia 15 de novembro, o professor Edmar Almeida (professor da PUC-Rio), representando a ANPTrilhos, integrou o painel Market-friendly Climate Policies, discutindo como políticas climáticas eficientes e economicamente viáveis podem impulsionar novos investimentos em infraestrutura e ampliar o protagonismo dos sistemas estruturados de transporte nas metrópoles brasileiras. Na sequência, no debate Mobilidade Urbana, a diretora-presidente Ana Patrizia Lira reforçou como a integração entre financiamento, planejamento e sustentabilidade será determinante para descarbonizar as cidades. Os encontros ocorreram na Blue Zone, dentro do espaço Cities & Regions Hub do Ministério das Cidades – ONU Habitat e ICLEI.
Trilhos como solução climática já disponível
Com mais de 2,5 bilhões de passageiros transportados anualmente e resultados concretos na redução de CO₂, na melhoria da qualidade do ar, na segurança viária e na vitalidade econômica dos centros urbanos, o setor já está transformando a vida de milhões de pessoas todos os dias. Na COP30, a ANPTrilhos deixou como legado a mensagem de que o setor metroferroviário brasileiro já entrega soluções maduras, de baixo carbono e impacto social imediato, e está preparado para fazer ainda mais pela transição climática urbana, além de reforçar que não podemos ignorar que o futuro das cidades brasileiras mais verdes, humanas e resilientes começa sobre trilhos.









