Estudo Nacional de Mobilidade Urbana é apresentado como transformador para o setor ferroviário

Estudo mapeou 187 projetos que para serem aplicados até o ano de 2054; autoridades e especialistas comentaram aplicabilidade e estratégias

Nessa quarta-feira (26/8), em Brasília, o Conexão ANPTrilhos 2026 reuniu lideranças do setor para discutir o transporte de passageiros sobre trilhos. Iniciando uma série de painéis sobre o tema, o evento promoveu conversas sobre os resultados do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), uma iniciativa desenvolvida pelo BNDES em conjunto com o Ministério das Cidades.

Do desafio ao diagnóstico: como nasceu o estudo nacional da mobilidade urbana

A primeira parte do painel foi moderada por Julio Castiglioni, Diretor-Presidente do Metrô de São Paulo e Presidente do Conselho de Administração da ANPTrilhos e contou com as participações de Marcos Daniel dos Santos, Secretário Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades e de Cleverson Aroeira da Silva, Analista Sênior do BNDES. O presidente do Metrô de São Paulo pontuou que a necessidade de planejamento coordenado no Brasil é uma verdade conhecida, mas que historicamente havia uma lacuna na integração entre os projetos.

E Marcos Daniel explicou que a motivação do estudo surgiu da inquietação da equipe técnica ao receber propostas de diferentes dimensões e valores que não dialogavam entre si.“A ausência de parâmetros claros gerava insegurança na tomada de decisões e dificultava a continuidade de projetos de longo prazo”, afirmou Santos. Para ele, o esforço de tirar o estudo do papel é necessário, já que a verdadeira solução para as regiões metropolitanas do país seria o transporte de massa e o transporte sobre trilhos.

Já Cleverson da Silva, destacou que o trabalho foi ambicioso, abrangendo 21 regiões metropolitanas. Ainda explicou que o estudo utilizou projeções de demanda para identificar eixos de média e alta capacidade, oferecendo propostas que podem ser adaptadas à realidade de cada localidade sem ferir a autonomia dos gestores.

O resultado do estudo: onde estão os projetos e quanto custam

No segundo bloco do painel, a Superintendente do BNDES, Luciene Machado, detalhou que os documentos e diagnósticos do ENMU estão disponíveis no Portal Mobilidade Brasil. O estudo mapeou uma carteira de 187 projetos que demandariam investimentos estimados entre R$ 300 bilhões e R$ 430 bilhões até o ano de 2054.

Os dados revelam uma concentração de investimentos em áreas densamente povoadas, com São Paulo respondendo por cerca de R$ 175 bilhões desse total. A executiva ressaltou que esse conjunto de projetos serve como um norte fundamental para a evolução do setor. Apesar disso, existem resistências econômicas estabelecidos que precisam ser superadas para a implementação de modelos mais eficientes.

Também participou desse painel Ana Claudia Nascimento, Diretora de Planejamento da CTB, que observou que as propostas elencadas poderiam mais do que dobrar a rede estruturante atual, facilitando a análise de bancabilidade. Também participou como moderador Joubert Flores, Conselheiro Consultivo Externo do Conselho de Administração da ANPTrilhos, que em sua fala reforçou que o caráter técnico e coletivo da construção do estudo permite ao setor evoluir sua atual posição.

Visão de futuro e estratégia: como garantir sustentabilidade e eficiência

Pedro Henrique de Morais Marques, Chefe do Departamento de Mobilidade Urbana do BNDES, abriu o terceiro bloco enfatizando dois marcos fundamentais para o setor: a aprovação do marco legal e a definição de um planejamento de longo prazo da aplicação do estudo.

“A grande meta é organizar essa rede. Não adianta mais criar projetos isolados sem ter uma centralidade, com fluxo previsível de recursos. Não basta construir a infraestrutura e não se preocupar com a sustentabilidade desse ativo”, afirmou Marques.

Marcos Daniel dos Santos complementou afirmando a necessidade de fortalecer as equipes técnicas tanto no governo federal quanto nos entes locais para dar assistência às regiões metropolitanas.

O painel contou ainda com a participação de Francisco Pierrini, CEO da Linha Uni, que destacou que os principais problemas do setor atualmente ainda permeiam e a importância de olhar para o futuro. “Tem todo um caminho que ainda precisa ser trilhado”.

Por fim, Michael Sotelo, Diretor-Presidente da CPTM, pontuou que o setor é “por natureza sustentável e eficiente”. “Como transformar esses atributos em algo que pode ser enxergado como um drive necessário para a financiabilidade, para a bancabilidade e tornar essas fontes alternativas de receita”, disse.

Painel 1 do Conexão ANPTrilhos 2026
Painel 1 do Conexão ANPTrilhos 2026
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