Trilhos que preservam: como o setor metroferroviário transforma água em eficiência e sustentabilidade

No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o setor metroferroviário brasileiro mostra que mobilidade de qualidade também se constrói com responsabilidade ambiental. Nos bastidores da operação, os sistemas sobre trilhos têm adotado práticas inovadoras para o uso consciente da água, transformando processos cotidianos em soluções sustentáveis. Entre os associados da ANPTrilhos, essa agenda já é realidade. Práticas de reaproveitamento, monitoramento e gestão eficiente da água vêm sendo integradas às operações como parte de um compromisso com a sustentabilidade.

Onde há sistemas metroferroviários em operação, operadores e concessionárias vêm adotando iniciativas que reduzem o consumo de água potável e ampliam o reaproveitamento do recurso em atividades como lavagem de trens, limpeza de pátios e manutenção.No Metrô de São Paulo, o uso de água de reuso já é uma prática estabelecida há quase duas décadas. A companhia utiliza cerca de 1 milhão de metros cúbicos de água de reuso por ano em atividades operacionais, como limpeza de trens, pátios e oficinas, reduzindo significativamente a pressão sobre os sistemas públicos de abastecimento. Já a Trensurb, no Rio Grande do Sul, aproveita a água da chuva captada nas coberturas das oficinas de manutenção, armazenando e tratando esse recurso para utilização na lavagem externa dos trens, iniciativa que alia economia operacional ao uso mais racional da água.

A captação de água pluvial também se destaca em outras operações do setor. No Metrô Bahia, a estratégia combina tecnologia e escala: além do reaproveitamento de aproximadamente 80% da água utilizada na lavagem dos trens, o sistema também utiliza água de chuva em banheiros de estações e terminais, ampliando o ciclo de uso do recurso . Na indústria metroferroviária, iniciativas como essas também são adotadas. Na unidade da Alstom em Taubaté, por exemplo, a água da chuva é armazenada em tanques com capacidade total de 79 m³ e utilizada em testes de estanqueidade dos trens, evitando o uso de água potável em processos industriais.

Em Belo Horizonte, o Metrô BH utiliza água de poços artesianos para lavagem de trens e avança na implantação de sistemas que permitirão reutilizar a água em ciclos sucessivos, além de contar com captação de água da chuva para irrigação e monitoramento contínuo do consumo. A CPTM, por sua vez, dispõe de sistemas de reuso em estações e edificações, com capacidade superior a 345 mil litros, contribuindo inclusive para a mitigação de alagamentos e para o aumento da resiliência hídrica das estruturas. Já a TIC Trens integra a gestão responsável da água desde o início de suas operações, com controle de efluentes, redução de consumo e ações de conscientização junto aos colaboradores.

Para a diretora-presidente da ANPTrilhos, Ana Patrizia Lira, essas iniciativas refletem uma transformação estrutural no setor. “O transporte sobre trilhos já é, por natureza, uma solução sustentável para as cidades. Quando incorporamos práticas como o reuso e a gestão eficiente da água, ampliamos ainda mais esse impacto positivo. O setor tem demonstrado que é possível aliar inovação, eficiência operacional e compromisso ambiental, contribuindo para a preservação dos recursos naturais e para a construção de cidades mais resilientes”, afirma.

As experiências das associadas mostram que a gestão hídrica se tornou parte estratégica das operações metroferroviárias, contribuindo para a preservação de mananciais, a redução de custos e o fortalecimento de uma cultura ambiental nas empresas. No Dia Mundial da Água, o setor metroferroviário revela um movimento que supera a dimensão da eficiência operacional. Trata-se de uma mudança de lógica: usar melhor, desperdiçar menos e integrar a sustentabilidade à rotina.

Máquina de lavar trens do Metrô de São Paulo no Pátio Jabaquara. Foto: Márcia Alves/Metrô SP
Lavador de Trens do Metrô Bahia. Foto: Divulgação
Captação de água da chuva em estação da CPTM. Foto: Divulgação CPTM