À medida que as obras avançam, cresce e se consolida a presença de mulheres em funções antes ocupadas majoritariamente por homens
03/03/2026 – CTB
Na Bahia, onde o Veiculo Leve sobre Trilhos (VLT) se consolida como uma obra estruturante da mobilidade urbana, também se fortalece a presença feminina nos canteiros de obras. Em um estado marcado por mulheres que fizeram história, como Maria Quitéria, Joana Angélica e Mãe Menininha do Gantois, destacam-se hoje outras tantas mulheres que, longe dos livros de história, constroem diariamente seus próprios caminhos. São profissionais que enfrentam desafios, ocupam espaços, lideram equipes e transformam realidades no cotidiano, reafirmando que a força feminina baiana se manifesta tanto nas figuras históricas quanto nas trajetórias anônimas que fazem a obra avançar.
Entre essas mulheres está Naiara Mota de Jesus, 35 anos, operadora de escavadeira com quase duas décadas de experiência em obras. Ela faz parte da equipe de obras do VLT e define o momento como uma realização. “ O VLT é um sonho, né? É um sonho realizado estar aqui ”, afirma. Atualmente, Naiara atua nas intervenções da passagem inferior do Hospital do Subúrbio, uma das etapas do Trecho 2 do VLT, que ligará Paripe a Águas Claras.
Moradora de Simões Filho, Naiara também enxerga o modal como um avanço para toda a região. Para ela, desenvolvimento urbano e crescimento pessoal caminham juntos. “ Quando o bairro cresce, a gente cresce junto. É igual à empresa: quando a empresa cresce, o funcionário também cresce ”, reflete. Para as mulheres que sonham em seguir na profissão, Naiara afirma que é preciso ter fé e coragem, correr atrás dos objetivos e buscar fazer sempre melhor a cada dia.
No Trecho 1 do VLT, que começa no Comércio e se estende até a Ilha de São João, atua Mariana Reis, 38 anos. Ela ingressou na obra em outubro de 2024 e exerce a função de técnica em elétrica, nível 2. Com 15 anos de experiência em obras, é mãe de três filhos e moradora do bairro de Roma, Mariana destaca que, além de desenvolver o trabalho técnico como profissional, a obra está inserida na região onde vive: “ Além de desenvolver o trabalho técnico, essa obra está dentro da minha região. Tenho parentes no Subúrbio e moro no Roma, então eles também vão utilizar o sistema. Por isso, me preocupo com a qualidade do serviço executado. Fazer parte dessa obra é histórico, é poder contar para os filhos e netos que eu fiz parte disso. É um orgulho contribuir e, ao mesmo tempo, ser beneficiada por ela .”.
As obras do VLT reúnem atualmente cerca de 2.697 trabalhadores, sendo 98% baianos, e se destacam pelo avanço na participação feminina nos canteiros, que já ultrapassa 50% do efetivo. No Trecho 1, atuam 185 mulheres, enquanto o Trecho 2 conta com 65 profissionais nas áreas operacional, administrativa e de engenharia; já no Trecho 3, 29% da mão de obra é feminina. As mulheres ocupam funções diversas e estratégicas, como engenheiras, mestres de obras, operárias, assistentes sociais, entre outras, reforçando a diversidade, a inclusão e o protagonismo feminino em uma obra estruturante para a mobilidade urbana da Bahia.
Dentre essas mulheres está Rosilene dos Santos Pacheco, 50 anos, técnica de enfermagem do trabalho. Ela atua na obra há um ano e seis meses e já trabalhou em outras frentes, incluindo as obras das Linhas 2 e 3 do metrô. No dia a dia, Rosilene também busca apoiar outras mulheres que trabalham na obra, oferecendo suporte e escuta. Usuária do metrô e ansiosa para utilizar o VLT, Rosilene avalia de forma positiva a chegada do novo modal: “Então, com o VLT, melhor ainda. Só melhoria para a gente, só melhoria mesmo para a população. Ganhou, ganhou muito mais. Foi muito bom.”
A cena se repete diariamente nos canteiros de obras do VLT. “ Mulher no volante pode?” “Mulher no volante deve. É top demais! ”, afirma Naiara
