TIC Trens propõe aditivo de até R$ 2,5 bi para fazer duplicação para via expressa
28/01/2026 – Valor Econômico
Prestes a dar início às obras do Trem Intercidades (TIC) entre a capital paulista e Campinas (SP), a concessionária TIC Trens se prepara para discutir com o governo paulista uma ampliação do projeto. A empresa propõe construir uma linha adicional, que seria destinada às viagens expressas entre os dois municípios. O aditivo poderá chegar a um limite de cerca de R$ 2,5 bilhões, estima Pedro Moro, diretor-presidente da TIC Trens, concessionária formada pelo grupo Comporte (da família Constantino) e pela chinesa CRRC.
“O edital já previa essa possibilidade de duplicação da via, com um custo limitado. Estamos fazendo o projeto detalhado, até o fim do ano devemos terminar para tentar aprovar com o governo”, afirmou o executivo.
O grupo conquistou o contrato no início de 2024, em um leilão sem concorrentes. O projeto, que previa investimentos em torno de R$ 14 bilhões (em valores da época da concorrência), inclui a gestão da Linha 7-Rubi de trens urbanos, já em operação entre a capital e Jundiaí, e a construção do trem até Campinas.
Serão oferecidos dois serviços aos passageiros. Um deles, com paradas, será formado pela Linha 7 e por uma linha de trem que será construída pela empresa, entre Jundiaí e Campinas. O trajeto total deverá ser feito em 94 minutos. Além disso, haverá uma viagem expressa, da capital a Campinas, com uma só parada em Jundiaí, feita em 64 minutos.
O problema é que, pelo contrato inicial, sem a duplicação, os trens da viagem com paradas e os da viagem expressa terão que compartilhar a mesma linha. Isso significa dificuldades na operação, mais riscos de atrasos em caso de imprevistos e uma limitação caso, no futuro, o Estado decida ampliar a malha ferroviária para além de Campinas, segundo Moro.
“Do ponto de vista da operação, fazer a duplicação faz todo o sentido”, afirmou. Porém, agora resta avaliar se a construção é viável. “O principal é entender o custo da obra, além de ver o impacto no cronograma do projeto.”
Caso a duplicação se mostre viável e o aditivo seja aprovado pelo Estado, o contrato prevê um limite de aporte público adicional na obra, que Moro calcula em aproximadamente R$ 2,5 bilhões.
Questionada sobre o tema, a Secretaria de Parcerias em Investimentos disse que a concessão já prevê a possibilidade de duplicação. “O contrato estabelece que a concessionária deve apresentar os projetos e, se os custos estiverem dentro da faixa prevista, a obra é realizada conforme as regras.”
A primeira parte da obra, do trem entre Jundiaí a Campinas, deverá começar até maio. O trecho deverá ficar pronto em 2029, o que já permitirá oferecer viagens com paradas. “Estamos finalizando os projetos, com a licença ambiental protocolada e na fase final de seleção da construtora.”
Em 2031, deverão começar as viagens expressas, o que dependerá de uma segunda etapa da obra, com a construção de uma linha adicional entre São Paulo e Jundiaí. Hoje o trajeto, percorrido pela Linha 7, divide os trilhos com os trens de carga da MRS, uma concessionária federal.
“As obras entre Jundiaí e Campinas começam no máximo até maio”
— Pedro Moro
A companhia assinou um aditivo com a União em 2022, no qual se comprometeu a investir em uma nova linha entre a capital e Jundiaí, fazendo a segregação dos trilhos de carga e passageiros. Uma vez que essa via for entregue, será possível usar os trilhos de passageiros para a Linha 7 e para o trem expresso até Campinas, enquanto a MRS terá sua própria via para escoar carga.
A previsão é que esta parte das obras comece no segundo semestre deste ano, afirmou Moro. Será a etapa mais complexa da construção, porque se dará em um trecho no qual já existe operação.
Outro desafio serão as obras do terminal Água Branca, na capital, de onde partirão os trens até Campinas. A ampliação ainda depende de desapropriações de imóveis da União, processo pendente e que já comprometeu a programação inicial em diversos meses.
“Estamos remodelando o cronograma porque em outubro deste ano começa a operar a Linha 6-Laranja [operada pela Acciona ], que terá uma integração na Água Branca. Na primeira fase da operação, será a única integração da linha, então não temos como fechar a estação”, disse Moro. Uma ideia em análise é atrasar as obras no local, possivelmente até o segundo semestre de 2027, quando a Linha 6 terá integração com outras linhas, em outras estações.
A entrada de novos trens, outra obrigação do contrato, também deverá seguir o cronograma: até 2029, deverão ser entregues sete trens para o trecho com paradas. Os equipamentos deverão ser construídos pela sócia CRRC, na fábrica recém montada pela chinesa em Araraquara (SP). Já outros 15 trens destinados à viagem expressa serão importados da China.
Em meio ao avanço do projeto do TIC Campinas, a parceria entre Comporte e CRRC já analisa outras oportunidades. O principal ativo no radar é a concessão das linhas 10-Turquesa e 14-Ônix. O governo paulista planeja fazer o leilão no segundo semestre deste ano.
A Comporte já está presente em outros sistemas de trilhos, como o VLT da Baixada Santista, o Metrô de Belo Horizonte e a concessão das linhas 11, 12 e 13 em São Paulo – esta última, conquistada no início de 2025, sem os chineses.
No caso da CRRC, o foco no segmento é a fabricação de trens – por isso o interesse do grupo apenas nas concessões que preveem compra de equipamentos, como será o caso das linhas 10 e 14. No ano passado, a companhia arrendou uma planta já existente no interior paulista para iniciar sua produção local de trens. A decisão veio após a vitória em uma licitação do Metrô de São Paulo para o fornecimento de 44 trens. O financiamento pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) prevê uma parcela de nacionalização da produção, o que levou à vinda dos chineses.

