“Quando o Brasil assume o planejamento de longo prazo como política de Estado, ele cria as bases para um sistema de transportes mais eficiente, integrado e sustentável.” A afirmação da diretora-presidente da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Ana Patrizia Lira, sintetizou o espírito do lançamento da Avaliação Estratégica do Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050), realizado nesta semana, em Brasília.
Elaborado em parceria entre o Ministério de Portos e Aeroportos, o Ministério dos Transportes, o Ministério do Planejamento e Orçamento e a Infra S.A., o PNL 2050 tem como objetivo promover uma matriz de transportes mais equilibrada, com incentivo à intermodalidade e à adoção de modais mais eficientes do ponto de vista econômico e operacional.
Diagnóstico inédito orienta prioridades do transporte até 2050
O documento apresentado ao público reúne um amplo diagnóstico do sistema de transportes brasileiro e mapeia doze problemas estruturais que deverão orientar a definição dos projetos prioritários do plano, com previsão de conclusão no primeiro trimestre de 2026. Entre os desafios identificados estão a crônica dependência do modal rodoviário, a escassez de recursos para manutenção da infraestrutura existente, a subutilização do modo ferroviário, a baixa qualidade das estradas vicinais, os obstáculos à multimodalidade, a falta de segurança pública, a escassez de mão de obra e a vulnerabilidade das infraestruturas às mudanças climáticas.
O diagnóstico foi construído a partir de consultas públicas, encontros realizados nas cinco regiões do país e pesquisas qualitativas com o setor produtivo, em um processo considerado inédito pelo governo federal. Agora, o documento entra em consulta pública até 18 de janeiro, por meio da Plataforma + Brasil, antes da divulgação, em março, do cenário-meta do PNL 2050, que reunirá o conjunto de projetos selecionados para enfrentar esses gargalos.
Para Ana Patrizia, o avanço do planejamento estratégico é fundamental para dar previsibilidade aos investimentos e fortalecer o papel do transporte sobre trilhos no Brasil. “Os trilhos têm capacidade única de estruturar territórios, conectar pessoas e apoiar o crescimento das cidades de forma sustentável. Pensar o Brasil de 2050 passa, necessariamente, por ampliar e qualificar o transporte ferroviário e metroferroviário”, destacou.
Ela também enfatizou que não há dissociação possível entre logística e mobilidade urbana. “Planejar a logística sem olhar para as cidades é um equívoco. A mobilidade das pessoas precisa estar no centro das decisões, e os sistemas sobre trilhos são essenciais para garantir deslocamentos eficientes, seguros e com menor impacto ambiental”, afirmou.
O Plano também detalha problemas específicos por segmento. No transporte de passageiros, o documento aborda tanto a saturação de eixos consolidados quanto situações de exclusão e baixa acessibilidade, especialmente em áreas urbanas e metropolitanas. Outro ponto inovador do diagnóstico é a inclusão de temas historicamente pouco tratados no planejamento nacional, como a situação das estradas vicinais e a segurança pública. O documento aponta que a precariedade dessas vias representa um dos principais gargalos logísticos do agronegócio, enquanto a insegurança em rodovias, hidrovias, acessos portuários e infraestruturas ferroviárias passou a ser um fator limitante da competitividade logística do país.
A produção do PNL é coordenada pelo Comitê de Governança do Planejamento Integrado de Transportes (CGPIT), presidido pelo secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro. O plano sucede o PNL 2035 e é o primeiro elaborado de acordo com as diretrizes do Planejamento Integrado de Transportes (PIT), instituído por decreto, com ciclos de quatro anos e alinhamento direto ao Plano Plurianual (PPA) e aos orçamentos anuais.

