A abertura da 54ª Reunião do GPAA – Grupo Permanente de Autoajuda na Área de Manutenção Metroferroviária encerrou-se na quarta-feira (3/12), em São Paulo, com a convicção compartilhada de que o setor avança quando caminha unido. Representantes de operadoras de todo o país, entre eles a ANPTrilhos, participaram de debates que reforçaram o valor da colaboração para o futuro dos trilhos no Brasil. A programação seguiu por três dias, com uma imersão dedicada à troca de conhecimentos por meio de apresentações técnicas, visitas operacionais, conversas estratégicas e painéis voltados ao futuro da manutenção.
Realizado semestralmente, o encontro é reconhecido como um dos mais importantes fóruns técnicos do setor metroferroviário brasileiro. Nesta edição, a Motiva, uma das empresas de infraestrutura de mobilidade do país, que atua em concessões de rodovias, mobilidade urbana (metrôs, trens, VLTs) e aeroportos, foi a anfitriã.
Cooperação, diversidade e técnica: os pilares reforçados pelas lideranças
Durante a abertura, Francisco Pierrini, diretor de operações da Motiva Trilhos, destacou que discutir sustentabilidade, descarbonização e energia limpa “não é falar de tendências, mas de responsabilidade, de futuro, de compromisso com as cidades onde vivemos”. Ele lembrou que, em São Paulo, “a união entre iniciativa privada e setor público é justamente o que faz as coisas acontecerem: crescimento, oportunidade e, acima de tudo, satisfação do cliente”.
O conselheiro da ANPTrilhos, Joubert Flores, reforçou a importância do encontro como espaço de convivência entre pessoas de diferentes gerações e gêneros, e evolução técnica. Para ele, “ver profissionais experientes lado a lado com tantos novos talentos é um dos maiores valores do GPAA”. Joubert lembrou que a área de manutenção mudou profundamente: “tornou-se mais tecnológica, analítica e estratégica — e isso abriu portas para todos. Isso é transformação real. Um evento como este, que reúne tantas visões diferentes, nos torna mais sábios e mais preparados. É esse movimento coletivo que impulsiona o setor a ir além”.
Na mesma linha, o diretor de Operação e Manutenção da CPTM e vice-presidente do Conselho da ANPTrilhos, Luiz Eduardo Argenton, ressaltou a essência solidária do grupo. Segundo ele, o GPAA sempre foi movido pelo propósito de ajudar e apoiar, e isso se mantém intacto: “O Brasil avançou enormemente em manutenção, monitoramento e gestão de ativos. Quem trabalha com técnica sabe o valor disso: é a troca de conhecimento que transforma, que evita falhas, que salva vidas”.
Mulheres que movem trilhos
Um dos pontos altos do dia foi o painel que teve a participação de Ana Patrizia Lira, diretora-presidente da ANPTrilhos, ao lado de Ellen Capistrano, diretora de Governança e Sustentabilidade na Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF); Eleonora Pazos, chefe do escritório da América Latina da União Internacional de Transportes Públicos (UITP) e da mediadora Sandra Holanda, coordenadora do Grupo Permanente de Autoajuda (GPAA) na Área de Manutenção Ferroviária. A mesa trouxe reflexões sobre operação, governança, regulação e tendências globais.
Em sua fala, Ana Patrizia destacou que a ANPTrilhos reúne hoje 100% dos operadores de transporte de passageiros sobre trilhos do país, lembrando que “ninguém transforma nada sozinho”. Reforçando o espírito de união que marcou o painel, ela ressaltou que o trabalho da Associação vai além do universo metroferroviário: “Na ANPTrilhos falamos e lutamos pela mobilidade urbana integrada, que caminha junto com os ônibus, com as bicicletas, com os sistemas de alta capacidade, com a tecnologia e com as cidades que sonhamos transformar.”
A diretora citou números que reforçam a urgência das mudanças: “Uma pesquisa da CNT mostra que, em 2025, o transporte individual representa 68% das viagens, enquanto o coletivo fica com 32%. Essa inversão nos afasta da cidade que queremos, com menos congestionamento, acidentes e poluição.”
Ao falar sobre o futuro, destacou que o Brasil vive uma janela rara de oportunidades. “Nos próximos cinco anos, mais de R$ 50 bilhões em investimentos estão previstos em projetos para o setor.” E por fim, resumiu o que considera o tripé do avanço do setor: “Atrair investimentos, modernizar o arcabouço regulatório e planejar de forma integrada. Se fizermos isso, inauguraremos uma nova fase em que trilhos deixam de ser linhas no mapa para se tornarem pontes para oportunidades e cidades mais humanas.”



