“Transporte público é o direito dos direitos”, afirmou com ênfase Ana Patrizia Lira, diretora-presidente da ANPTrilhos, ao abrir a sua participação no seminário “Desafios e Oportunidades no Setor de Transporte (Metro)Ferroviário”, realizado nesta terça-feira (4) na Câmara dos Deputados. Promovido pela Frenlogi e suas Câmaras Temáticas de Mobilidade Urbana e Ferrovias, o encontro reuniu autoridades, parlamentares, técnicos e representantes do setor privado em torno de uma pauta comum: transformar os trilhos em motor do desenvolvimento urbano e regional do país.
Ana Patrizia apresentou o painel “Estado da Arte do Transporte Metroferroviário de Passageiros no Brasil”, destacando o transporte sobre trilhos como eixo estruturante da mobilidade sustentável — rápido, confortável e menos poluente. Ela traçou um retrato atualizado do setor: 21 sistemas em operação em 11 estados e no Distrito Federal, somando 1.137,5 km de trilhos, 633 estações e cerca de 8 milhões de passageiros transportados por dia. Apesar da dimensão, alertou que o país ainda tem grande espaço para expandir sua rede e reduzir desigualdades.
Desafios, números e oportunidades
A diretora-presidente ressaltou ainda que o transporte sobre trilhos gerou R$ 33,9 bilhões em benefícios sociais em 2024, com ganhos em produtividade, segurança viária e sustentabilidade ambiental — “um investimento que se paga muitas vezes, não só na planilha, mas na vida das pessoas”, disse. Ao abordar os desafios do setor, defendeu novos investimentos, um marco regulatório moderno e planejamento integrado entre União, estados e municípios, além da necessidade de tarifas módicas e fontes estáveis de custeio.
Ao encerrar a sua participação, Ana Patrizia Lira reforçou o compromisso da ANPTrilhos em atuar como ponte entre operadores, indústria, governos e Parlamento, transformando planos em projetos executivos e projetos em obras e serviços para a população:
“O transporte de passageiros sobre trilhos exige investimentos significativos em expansão de rede, modernização tecnológica e integração multimodal. Superar os entraves do setor demanda vontade política, marcos regulatórios sólidos e mecanismos estruturados de fomento, que reconheçam os trilhos como eixo estratégico da mobilidade sustentável e do desenvolvimento urbano integrado. É por isso que a ANPTrilhos está aqui e continuará presente nesse debate.”
Outros painéis: estratégia, financiamento, desestatização e novas oportunidades
Além da participação da ANPTrilhos, o seminário reuniu especialistas e autoridades que apresentaram diferentes perspectivas sobre o futuro dos trilhos no Brasil.
O diretor do Ministério das Cidades, Marcos Daniel Souza, apresentou o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, desenvolvido com o BNDES, que mapeou 187 projetos de transporte de média e alta capacidade e prevê R$ 430 bilhões em investimentos até 2050.
Francisco Vicente, superintendente de desenvolvimento e expansão da TRENSURB, abordou o papel da TRENSURB e defendeu a importância das empresas públicas e da governança metropolitana para otimizar o sistema; Afonso Carneiro Filho, especialista em transporte ferroviário, relembrou a trajetória dos trens regionais e turísticos, enfatizando a necessidade de transformar estudos em projetos concretos; e Marcos Kleber R. Felix, consultor legislativo do Senado, destacou as oportunidades da Lei das Ferrovias, que permite operações urbanísticas e exploração imobiliária no entorno das estações — modelo já aplicado com sucesso em países como China, Reino Unido e Estados Unidos.



