O debate sobre o futuro ferroviário ganhou dimensão internacional e o Brasil marcou presença com uma agenda consistente. A ANPTrilhos participou do 1º Congresso da Indústria e Atividades Ferroviárias da Latinrieles, realizado em Antofagasta, no Chile, levando ao centro das discussões os desafios, avanços e perspectivas do transporte de passageiros sobre trilhos no país. A representação foi feita online, pelo conselheiro consultivo externo da Associação, Joubert Flores, que apresentou um panorama estruturado do setor brasileiro e defendeu a necessidade de transformar diagnósticos em decisões concretas.
Durante sua participação, Joubert destacou que o Brasil já reúne ativos relevantes para a expansão do transporte metroferroviário mas ainda enfrenta entraves históricos que exigem coordenação e visão de longo prazo. O setor brasileiro transporta mais de 2,5 bilhões de passageiros por ano, com uma rede que ultrapassa 1.100 quilômetros de extensão e atende dezenas de municípios em diferentes regiões do país. “Temos escala, demanda e experiência operacional. O que precisamos agora é de um ambiente que permita acelerar investimentos e estruturar redes integradas nas cidades”, sintetizou.
A apresentação da ANPTrilhos enfatizou que os principais gargalos não estão na capacidade técnica, mas na governança e no modelo de financiamento. Entre os pontos críticos, Joubert Flores ressaltou a ausência de mecanismos estáveis de financiamento, a fragmentação regulatória e a falta de planejamento integrado entre entes federativos, fatores que dificultam a implementação de projetos estruturantes de médio e longo prazo .
Nesse contexto, a Associação reforçou a importância de avanços institucionais, como o novo marco legal do transporte público (PL 3.278/2021), apontado como instrumento capaz de traduzir diretrizes em regras operacionais, ampliar a segurança jurídica e atrair investimentos. “É a diferença entre ter um mapa e ter uma rota definida. O setor precisa dessa previsibilidade para avançar”, destacou Joubert, ao abordar o papel da legislação na transformação do ambiente de negócios.
Outro ponto da participação brasileira foi a defesa de uma abordagem integrada da mobilidade, com os trilhos ocupando papel importante nas redes urbanas. A ANPTrilhos apresentou iniciativas como o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), que organiza uma carteira de projetos e propõe uma estratégia coordenada entre União, estados e municípios para ampliar a participação do transporte coletivo na matriz de deslocamentos.
O evento, organizado pelo Grupo Rieles, reune mais de mil participantes em debates sobre infraestrutura, inovação, segurança e integração logística. A presença da ANPTrilhos, dentro da comitiva brasileira articulada pelo projeto Brazil on Rails, mostra o posicionamento do país no cenário internacional e qualifica o intercâmbio de experiências em um momento em que a mobilidade sustentável ganha centralidade nas agendas públicas.
Para a Associação, a participação em espaços como a Latinrieles é inserir o Brasil em uma agenda global de soluções para cidades mais eficientes, conectadas e sustentáveis. “O mundo discute mobilidade como política de Estado. O Brasil tem todas as condições de fazer o mesmo e os trilhos são parte essencial dessa equação”, concluiu Joubert Flores.

