Tarifa mais acessível é caminho para cidades mais sustentáveis, defende ANPTrilhos em debate da Frenlogi

“Quando a gente fala de tarifa zero como indutora do desenvolvimento das cidades, estamos falando de mais passageiros no transporte público, menos congestionamentos, menos acidentes e mais qualidade de vida. O Brasil precisa enfrentar o debate sobre financiamento do transporte coletivo como uma política pública estruturante”, afirmou a diretora-presidente da ANPTrilhos, Ana Patrizia Lira, durante live promovida pela Frente Parlamentar Mista da Logística e Infraestrutura (Frenlogi), no último dia 10 de junho.

O debate reuniu especialistas e parlamentares para discutir os impactos do transporte coletivo na construção de cidades mais resilientes e sustentáveis. Durante a transmissão, a ANPTrilhos defendeu a necessidade de ampliar as fontes de financiamento do setor para tornar as tarifas mais acessíveis e estimular a retomada de passageiros no transporte público.

Ao longo da live, Ana Patrizia destacou que o Brasil vive um cenário de agravamento da mobilidade urbana. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), em 2017 o deslocamento nas cidades era dividido igualmente entre transporte público e individual. Já em 2024, o transporte individual passou a representar 68% das viagens urbanas, enquanto o transporte coletivo caiu para 32%.

“Quando o passageiro deixa o transporte público e migra para o individual, as cidades entram em colapso. O trânsito piora, aumenta a poluição, aumentam os acidentes e a qualidade de vida urbana diminui. E o principal fator apontado pela população para voltar ao transporte público é justamente a redução do valor da tarifa”, ressaltou.

A presidente da ANPTrilhos também lembrou que o transporte sobre trilhos ainda transporta cerca de 30% menos passageiros do que em 2019, antes da pandemia, o que reforça a necessidade de políticas tarifárias mais inclusivas e sustentáveis financeiramente.

Durante a discussão, Ana Patrizia defendeu a criação de um modelo de financiamento mais equilibrado, envolvendo União, estados e municípios, além da diversificação das fontes de receita do sistema. Entre os exemplos citados, ela destacou a possibilidade de substituição do atual modelo de vale-transporte por uma taxa vinculada ao número de empregados, nos moldes do modelo francês.

Outro ponto destacado foi a aprovação do Marco Legal do Transporte Público Coletivo, que prevê novas possibilidades de financiamento tanto para infraestrutura quanto para operação dos sistemas. Segundo ela, a proposta representa um avanço importante ao permitir que gratuidades e benefícios sociais sejam financiados por diferentes áreas do orçamento público, como assistência social, saúde e educação.

“O transporte público produz benefícios coletivos para toda a sociedade. Quando a gente investe em mobilidade urbana, a gente investe em sustentabilidade, produtividade, inclusão social e segurança viária”, afirmou.

Ana Patrizia também chamou atenção para os benefícios ambientais do transporte sobre trilhos. Segundo ela, enquanto os sistemas metroferroviários emitem cerca de 4 gramas de CO₂ equivalente por passageiro transportado, os ônibus emitem 16 gramas e os automóveis individuais chegam a emitir aproximadamente 127 gramas.

Ao final, Rubens Otoni destacou a atuação da FRENLOGI na construção de soluções para a mobilidade urbana e ressaltou a importância do diálogo entre Parlamento, setor produtivo e sociedade. O deputado lembrou que a Frente Parlamentar reúne mais de 320 parlamentares e atua na mediação de propostas voltadas ao desenvolvimento da infraestrutura e ao aprimoramento da legislação brasileira. “O transporte coletivo representa o direito de ir e vir de cada cidadão e deve estar no centro das discussões sobre o futuro das nossas cidades”, concluiu.

A live também contou com a participação do diretor de Relações Institucionais da FRENLOGI, Edinho Bez; do coordenador executivo da Câmara Temática de Mobilidade Urbana, Frederico Lacerda; e do analista de infraestrutura Higor Guerra, que presta apoio técnico à Frente e contribuiu para os debates sobre os desafios e perspectivas da mobilidade urbana no Brasil.