Segurança das mulheres no transporte exige cultura de acolhimento, denúncia e responsabilidade coletiva, destaca ANPTrilhos em evento da CNT

Debater inovação no transporte também é discutir ambientes mais humanos, seguros e respeitosos. Foi com essa perspectiva que a ANPTrilhos participou da segunda edição do evento “Mulheres no Transporte – Trajetórias que Inspiram”, promovido pelo Instituto de Transporte e Logística do Sistema Transporte e realizado no dia 13 de maio, na sede da CNT, em Brasília.

Representando a Associação, a diretora-presidente Ana Patrizia Lira integrou o Painel 1 — “Ambientes seguros para mulheres no transporte”, ao lado de Andrea Simões, diretora de Gente, Cultura & Transformação Digital da Log-In Logística Integrada; Cintia Rocha, diretora de Recursos Humanos da DHL Supply Chain; Marcelo Bernardes, superintendente de Governança e Meio Ambiente da ANAC; Luana Fleck, diretora do Grupo Ouro e Prata; e Nicole Goulart, diretora executiva nacional do SEST SENAT. A mediação foi conduzida por Ana Jarrouge, diretora da Confederação Nacional do Transporte.

Durante o debate, Ana Patrizia destacou que a segurança das mulheres no transporte público precisa ser tratada como uma responsabilidade institucional, operacional e social. Segundo ela, em sistemas de alta capacidade, como metrôs, trens urbanos e VLTs, o enfrentamento ao assédio exige resposta rápida, acolhimento humanizado e protocolos claros.

“O transporte público é um espaço coletivo. A segurança da mulher não pode depender apenas da reação dela no momento da violência. O agressor precisa saber que o sistema está atento, que há monitoramento, resposta e responsabilização. Importunação sexual é crime”, afirmou.

A presidente da ANPTrilhos ressaltou ainda que o enfrentamento ao assédio vai muito além de campanhas pontuais. “O maior erro é tratar o tema apenas como uma ação reputacional ou restrita ao mês da mulher. A segurança acontece no dia a dia da operação: na iluminação da estação, na câmera funcionando, no agente preparado, no canal que responde e no acolhimento oferecido à vítima”, pontuou.

Ao apresentar iniciativas desenvolvidas pelas operadoras associadas à ANPTrilhos, Ana Patrizia mostrou que o setor metroferroviário está atento e vem ampliando investimentos em prevenção, monitoramento, treinamento e acolhimento especializado.

Entre os exemplos citados, sistemas sobre trilhos em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul se destacaram. A CPTM mantém o programa Espaço Acolher em 26 estações estratégicas e realizou treinamentos sobre assédio e importunação sexual para mais de 6 mil colaboradores. Já o Metrô de São Paulo conta com mais de 5 mil câmeras de monitoramento, canais como SMS-Denúncia e aplicativo MetrôConecta, além de postos avançados de atendimento à mulher nas estações Santa Cecília e Luz. Segundo dados apresentados no painel, o sistema registra índice de detenção de autores de crimes sexuais em cerca de 80% dos casos encaminhados às autoridades policiais.

A Trensurb também foi destaque pelas rodas de conversa promovidas com empregados próprios, terceirizados, estagiários e aprendizes, alcançando centenas de participantes apenas em 2025. Já o Metrô Bahia apresentou iniciativas como as Salas Elas à Frente, espaços de acolhimento com atendimento especializado, incluindo suporte psicológico, jurídico e social às mulheres.

Ana Patrizia também relembrou a campanha nacional lançada pela ANPTrilhos contra o abuso sexual no transporte público, inicialmente em 2020 e relançada em 2023, mobilizando operadoras de todo o país com vídeos, cartazes, avisos sonoros e ações educativas. “A mensagem continua atual e necessária: abuso sexual é crime, denuncie”, reforçou.

Ana Patrizia também relembrou a campanha nacional lançada pela ANPTrilhos contra o abuso sexual no transporte público, inicialmente em 2020 e relançada em 2023, mobilizando operadoras de todo o país com vídeos, cartazes, avisos sonoros e ações educativas. “Quando uma mulher deixa de usar o transporte público por medo, toda a cidade perde”, concluiu Ana Patrizia Lira.

Ao longo do painel, os participantes defenderam que a transformação cultural no setor depende de lideranças comprometidas, canais efetivos de denúncia, capacitação contínua e envolvimento coletivo.

Sobre o evento

Com o tema “Inovar para avançar, respeitar para liderar”, o encontro reuniu lideranças femininas de diferentes modais para discutir diversidade, inclusão, prevenção ao assédio e construção de ambientes mais seguros para mulheres no setor de transportes. A proposta desta edição foi ampliar o conceito de inovação, conectando o tema não apenas à tecnologia e aos processos, mas também às relações humanas, à escuta e às práticas de liderança capazes de gerar transformações sustentáveis.