Artigo | A eficiência operacional é a engrenagem para novos investimentos

*Luiz Eduardo Argenton, Conselheiro da ANPTrilhos e Diretor de Operação e Manutenção da CPTM

Falar de operação ferroviária é, antes de tudo, falar de segurança, regularidade, confiança e conforto. Todos os dias, milhares de pessoas dependem do sistema para chegar ao trabalho, estudar, cuidar da família e seguir com suas rotinas.

Por trás de cada viagem, existe um trabalho contínuo de manutenção e acompanhamento dos ativos (trens, vias, sistemas e estações) que garante que tudo funcione em padrões pré-estabelecidos de confiabilidade e segurança.

Nesse contexto, podemos dizer que a eficiência operacional não significa fazer menos. Significa fazer melhor! Com mais precisão e no momento certo.

Um exemplo simples para ilustrar esse conceito seria a manutenção de um ar-condicionado de uma casa. Tem gente que espera ele quebrar para consertar e tem gente que faz aquelas revisões periódicas, mesmo sem sinais de problema. No entanto, hoje em dia, já existem equipamentos que avisam quando algo não está funcionando como deveria, seja um ruído diferente, uma queda de desempenho ou até um consumo maior de energia.

Este seria um raciocínio lógico. O fato é que os equipamentos até então não ofereciam informações das condições de falha. Porém, hoje, com o avanço da tecnologia, isto se tornou uma realidade para uma grande gama de ativos, o que permite acompanhar seu desempenho, com muita previsibilidade, tornando os sistemas mais confiáveis e disponíveis. A manutenção por condição já é uma realidade, carece apenas de uma gestão correta.

Em vez de atuar apenas por conta de calendário ou após uma falha, acompanha-se o comportamento real dos equipamentos, identificando sinais que indicam a necessidade de intervenção. Isso permite agir com antecedência, evitando problemas maiores e garantindo mais estabilidade na operação.

No dia a dia da ferrovia, isso se traduz, por exemplo, na identificação de desgastes em componentes antes que eles impactem a circulação, no acompanhamento do desempenho de sistemas dos trens ou no monitoramento da infraestrutura, como o da via. É importante reforçar que isso não substitui a manutenção tradicional, pelo contrário, ela complementa e aprimora o trabalho já realizado pelas equipes.

A manutenção continua sendo essencial e, óbvio, que será permanente. O que muda é a forma como ela pode ser planejada e executada, seja ela com mais informação e previsibilidade. E esse tipo de ganho é percebido em diferentes frentes. Para a operação, há mais disponibilidade dos ativos e menos ocorrências inesperadas, contribuindo para viagens mais regulares. Já para os passageiros, isso significa mais confiança no serviço. Há também um impacto importante na gestão de recursos.

Quando conseguimos evitar intervenções desnecessárias e, ao mesmo tempo, prevenir falhas mais complexas, utilizamos melhor os materiais, o tempo e os esforços das equipes. Isso não representa redução de cuidado, mas sim, o uso mais inteligente dos recursos disponíveis. E é nesse ponto que a eficiência operacional se conecta aos investimentos!

Em um cenário desafiador para todo o setor, operar com responsabilidade e eficiência permite direcionar recursos de forma mais estratégica, garantindo a continuidade e a evolução do sistema ferroviário. Ou seja, cuidar bem do que já existe é também uma forma de viabilizar o que ainda precisa ser feito.

Na CPTM, esse olhar está diretamente ligado ao compromisso com a qualidade do serviço prestado à população. A busca por soluções que tragam mais confiabilidade, previsibilidade e eficiência faz parte de um processo contínuo de aprimoramento.

Hoje já monitoramos, continuamente, uma série de ativos, como trens, escadas rolantes e rede aérea, e estamos trabalhando para que todos sejam monitorados. Mais do que “apenas” incorporar tecnologia, trata-se de fortalecer a operação com base em informação, muito planejamento e experiência!

A eficiência operacional, nesse sentido, não é um fim, mas faz parte das engrenagens que mantêm o sistema em movimento e que permite que ele continue avançando.

Luiz Eduardo Argenton