ANPTrilhos destaca urgência de novo marco e fontes de financiamento em debate sobre o futuro das ferrovias no Brasil

Entre urgências que se acumulam e consensos que finalmente se alinham, o futuro das ferrovias brasileiras deixou de ser promessa para se firmar como agenda efetiva. No Café com a Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (FRENLOGI), realizado nesta quarta-feira (29.04), governo, Congresso e setor produtivo convergiram em torno de um ponto central. O país já reúne diagnóstico, instrumentos e ambiente institucional, falta agora acelerar decisões e transformar potencial em expansão real da infraestrutura ferroviária.

Representando os operadores de metrôs, trens urbanos e VLTs do país, a diretora-presidente da ANPTrilhos, Ana Patrizia Lira, destacou que o transporte de passageiros sobre trilhos precisa ser tratado como prioridade nacional. Segundo ela, o setor transportou cerca de 2,59 bilhões de passageiros em 2025, mas o crescimento segue aquém do necessário.

“Estamos falando de um serviço essencial para milhões de brasileiros. O número de passageiros permanece praticamente estagnado, e isso nos mostra a necessidade de políticas públicas que incentivem a expansão da rede e promovam a migração do transporte individual para o coletivo. Sem isso, não há como avançar na escala que o país precisa”, afirmou.

A dirigente ressaltou ainda a importância do avanço do projeto de lei que institui o novo marco legal do transporte público coletivo, atualmente em tramitação no Congresso Nacional. Para a ANPTrilhos, a retomada de dispositivos que tratam das fontes de financiamento do setor é determinante para viabilizar novos projetos.

“Precisamos garantir fontes de receita estáveis e diversificadas. O transporte público só vai crescer com recursos adequados, e o projeto traz caminhos concretos para isso. Contamos com o apoio da Frente Parlamentar para assegurar a aprovação desse texto e o fortalecimento do setor”, completou.

Além da mobilidade urbana, a ANPTrilhos também destacou o avanço da agenda de transporte ferroviário regional, com a criação de instrumentos voltados à segurança jurídica e à atração de investimentos. A entidade citou iniciativas recentes do governo federal que buscam novas alternativas de financiamento, incluindo receitas acessórias e modelos de exploração associados ao desenvolvimento urbano.

O debate reuniu representantes do setor público e privado e deixou explicita uma convergência em torno da necessidade de ampliar os investimentos em infraestrutura ferroviária. Para Alessandro Baumgartner, o aporte de recursos públicos no setor deve ser compreendido como investimento em patrimônio coletivo.

“O investimento público em ferrovias não é recurso perdido. Ele se traduz em infraestrutura que permanece como patrimônio público. Trata-se de um modelo em que o Estado participa da viabilização dos projetos, garantindo a entrega de ativos estratégicos para o país”, explicou.

Já o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, destacou o papel central do Congresso Nacional na viabilização do setor e apontou um ambiente mais favorável à expansão ferroviária nos últimos anos.

“Hoje existe uma convergência política em torno das ferrovias. Avançamos em marcos legais importantes e estamos estruturando uma carteira robusta de projetos. Não há como pensar o desenvolvimento do país sem uma rede ferroviária eficiente, capaz de reduzir custos logísticos, emissões e desigualdades regionais”, afirmou.

O presidente da Frente Parlamentar Mista das Ferrovias, Pedro Uczai, reforçou a necessidade de articulação entre governo, Congresso e setor produtivo para acelerar investimentos e ampliar o papel das ferrovias no desenvolvimento nacional.

Durante sua fala, o parlamentar destacou que “o Brasil vive um momento mais favorável, com avanços institucionais e maior segurança jurídica, mas é preciso pensarmos novas estratégias para ampliar o financiamento, incluindo a atração de capital internacional e a estruturação de fundos voltados ao setor. O Brasil já tem potência para ser uma grande nação, um grande país”.

Os participantes do debate concordaram, por fim, que o desafio atual é transformar esse cenário em projetos concretos e expansão efetiva da malha ferroviária. Para a ANPTrilhos, o caminho passa por decisão política, coordenação federativa e, sobretudo, pela implementação de um modelo de financiamento que permita ao transporte sobre trilhos assumir o papel estruturante que o Brasil demanda.