Um setor que cresce, amplia redes e incorpora novas tecnologias também precisa avançar na diversidade de quem projeta, opera e transforma seus sistemas. Foi com esse olhar que a diretora-presidente da ANPTrilhos, Ana Patrizia Lira, participou, nesta terça-feira (7), da abertura do Workshop ANTF | Desafios e Soluções de Incentivo às Mulheres na Carreira Técnica nas Ferrovias.
Realizado em formato híbrido, com encontro presencial na Sala Otávio Cunha, na sede da CNT, em Brasília, o workshop reuniu profissionais das áreas de gestão de pessoas, sustentabilidade, diversidade e capacitação para compartilhar experiências e discutir caminhos capazes de ampliar a atração, o desenvolvimento e a permanência de mulheres em carreiras técnicas no setor ferroviário.
Na abertura, Ana Patrizia destacou que a diversidade deve acompanhar o processo de expansão e modernização vivido pelos sistemas ferroviário e metroferroviário brasileiros. Para a diretora-presidente da ANPTrilhos, ampliar a participação feminina, especialmente em áreas técnicas e operacionais, é parte de uma agenda estratégica para o futuro do setor.
“Estamos falando de um setor que cresce, se moderniza e precisa atrair cada vez mais talentos. Nesse cenário, ampliar a presença feminina nas carreiras técnicas e operacionais é uma questão de capacidade de inovação, de diversidade de perspectivas e de construção de organizações mais preparadas para os desafios do futuro. Já existem iniciativas importantes em curso e precisamos fazer com que elas avancem, ganhem escala e se transformem em oportunidades concretas de entrada, desenvolvimento e permanência para mais mulheres”, afirmou Ana Patrizia.
Os números mostram que há espaço para avançar. Segundo o Balanço do Setor Metroferroviário 2025 da ANPTrilhos, o total de profissionais do setor chegou a 41,6 mil em 2025, considerando empregados próprios e terceirizados, frente a 39,7 mil no ano anterior. Entre os empregados, as mulheres representam 22% do quadro, percentual que permaneceu estável em relação a 2024.
Para a ANPTrilhos, o desafio passa por ampliar a entrada de mulheres no setor, mas também por criar condições para que elas permaneçam, se desenvolvam e ocupem diferentes espaços, das funções técnicas e operacionais aos cargos de liderança.
Iniciativas que abrem caminhos
Entre os associados da ANPTrilhos, diferentes ações já buscam ampliar a participação feminina. As iniciativas incluem programas de capacitação técnica, metas específicas de contratação, processos seletivos exclusivos e projetos voltados ao desenvolvimento profissional e à liderança.
No MetrôRio, o Programa Jovens Aprendizes com vagas exclusivas para mulheres, ampliando oportunidades de entrada no setor. O Metrô de São Paulo mantém iniciativas como o Desenvolvimento de Mulheres na Liderança, além de treinamentos sobre viés inconsciente.
Na Linha 6-Laranja, operada pela Linha Uni, foram formadas turmas femininas para funções historicamente ocupadas majoritariamente por homens, como motorista de caminhão betoneira, sinaleira rigger e instaladora hidráulica. O Metrô Bahia também realiza processos seletivos exclusivos para mulheres.
Já a CTB mantém mulheres em posições de gestão, é certificada com o Selo Lilás, concedido pelo Governo do Estado da Bahia a instituições que promovem políticas de valorização da mulher no ambiente de trabalho, e incentiva a contratação feminina nas obras do VLT.
Promovido pela ANTF, o workshop teve como objetivo estimular o intercâmbio de experiências sobre os desafios e as soluções para ampliar a participação feminina nas carreiras técnicas ferroviárias. Além de Ana Patrizia Lira, participaram da mesa de abertura Davi Barreto, diretor-presidente da ANTF; Nicole Goulart, diretora executiva nacional do SEST SENAT; e Eliana Costa, diretora adjunta do ITL.

